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Amor de Perdição - O Romance

  1. Divisão:

    Estruturalmente, o romance está dividido em 20 capítulos, uma introdução, à guisa de explicação do porquê do romance e uma conclusão.

     

  2. O tempo, o espaço:

O tempo do romance é cronológico, linearmente distribuído; logo de início tende ao vertiginoso , abrange algumas décadas situando a origem de Simão, mas logo em seguida atém-se ao presente, dia a dia se constrói, então, a narrativa até o fim.

O espaço divide-se entre Viseu, Vila Real, Lisboa, Cascais, Lamego e Coimbra.

  1. O foco narrativo:

A narrativa é realizada em terceira pessoa, por um narrador observador que, às vezes, torna-se onisciente a ponto de entrar na intimidade das personagens e trazê-las vivas e intensas para o leitor.

É interessante observar que o narrador vale-se das cartas trocadas entre as personagens Simão e Teresa para devastar-lhes o universo interior, revelando-lhes os sentimentos mais intensos e profundos. Trazendo-as para a narrativa, traz junto a alma de cada um, seus sonhos, inquietações, tristezas e saudades. Observe:

 

"É necessário arrancar-te daí — dizia a carta de Simão. — Esse convento há de ter uma evasiva. Procura-a, e dize-me a noite e a hora em que devo esperar-te. Se não puderes fugir, essas portas hão de abrir-se diante da minha cólera. Se daí te mandarem para outro convento mais longe, avisa-me, que eu irei, sozinho ou acompanhado, roubar-te ao caminho. É indispensável que te refaças de ânimo para te não assustarem os arrojos da minha paixão. És minha! Não sei de que me serve a vida, se a não sacrificar a salvar-te. Creio em ti, Teresa, creio. Ser-me-ás fiel na vida e na morte. Não sofras com paciência; luta com heroísmo. A submissão é uma ignomínia quando o poder paternal é uma afronta. Escreve-me a toda hora que possas. Eu estou quase bom. Dize-me uma palavra, chama-me, e eu sentirei que a perda do sangue não diminui as forças do coração."

 

Verifique que os ímpetos da paixão aí estão demonstrados, a inquietação e a desesperança. As cartas são, de certa forma, uma estratégia usada pelo narrador para fazer notar, ao leitor, o sofrimento e a dor que moram na alma de ambos:

 

"Não vão estas palavras acrescentar a tua pena. Deus me livre de ajuntar um remorso injusto à tua saudade.

Se eu pudesse ainda ver-te feliz neste mundo; se Deus me permitisse à minha alma esta visão!... Feliz, tu, meu pobre condenado!... Sem o querer, o meu amor agora te fazia injúria, julgando-te capaz de felicidade! Tumorrerás de saudade, se o clima do desterro te não matar ainda antes de sucumbires à dor do espírito.

A vida era bela, era, Simão, se a tivéssemos como tu ma pintavas nas tuas cartas, que li há pouco! Estou vendo a casinha que descrevias defronte de Coimbra, cercada de árvores, flores e aves. A tua imaginação passeava comigo às margens do Mondego, à hora pensativa do escurecer. Estrelava-se o céu, e a Lua abrilhantava a água. Eu respondia com a mudez do coração ao teu silêncio e, animada por teu sorriso, inclinava a face ao teu seio, como se fosse ao de minha mãe. Tudo isto li nas tuas cartas; e parece que cessa o despedaçar da agonia enquanto a alma se está recordando."

 

É através delas, as cartas, como se vê que esse narrador, desvenda com maestria o mundo íntimo de suas personagens protagonistas que se estabelecem sob o signo shakespeariano de Romeu e Julieta, arquétipo maior do impedimento amoroso.

  1. As personagens:

São protagonistas do romance em questão as personagens Simão Botelho, 17 anos, filho do corregedor do Viseu; Teresa Albuquerque, 15 anos, filha de Tadeu Albuquerque, inimigo do pai de Simão; e Mariana da Cruz , filha de João da Cruz, humilde ferreiro.

 

São personagens secundárias: João da Cruz, que é absolvido de um homicídio praticado pelo corregedor Domingos Botelho, pai de Simão; D. Rita Preciosa, mãe do herói, uma mulher da Corte, refinada, que humilha o marido.

 

São personagens antagonistas, nome dado aos antigos vilões das histórias, as seguintes personagens: Domingos Botelho, pai de Simão, e o pai de Teresa, Tadeu Albuquerque, que se opõem à aproximação ou ao casamento dos dois enamorados. O narrador ressalta-lhes o caráter rancoroso, inflexível e tirano e, ainda, os ridiculariza posto que signifiquem toda a hiprocisia possível, que ostentam em nome "da honra", da palavra, do que representam socialmente. Em nome dos brasões de família, que o narrador ironiza acintosamente, seus egoísmos mesquinhos transcendem ao desejo de felicidade dos filhos, do futuro que os abrigue da melhor maneira possível.

 

Antagonista também é Baltazar Coutinho, que é primo de Teresa e a quem Simão assassina por ciúmes. Baltazar é um dissimulado, uma espécie de cúmplice do tio no afastamento do casal de enamorados. Mesquinho, ambicioso, vil e hipócrita, ele é um caráter repugnamente uma vez que encomenda a morte de Simão a pessoas que influencia.

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Um pouco da história de Amor de Perdição

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