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Um pouco da história de Amor de Perdição:

O romance, ou novela, como querem alguns, é o mais conhecido de toda a obra de Camilo Castelo Branco. Foi escrito em apenas quinze dias, na Cadeia de Relação do Porto, quando o autor tinha 36 anos e vivia um dos problemas, entre os muitos, mais graves de sua vida: estava preso junto com Ana Plácido. Ela havia abandonado o marido para viver com Camilo e ambos foram condenados pelo crime de adultério.

"E ninguém duvidava que o amor de Camilo por Ana Augusta era realmente "um amor de perdição", se não será mais verdadeiro fazer a mesma afirmação, mas ao contrário: o amor de Ana por Camilo é que foi um autêntico "amor de perdição".

O romance trata de fato de amores contrariados e infelizes, logo com envolvências com o caso Ana/Camilo: a entrada em convento, a hipótese de degredo (risco que Camilo também correu), as atitudes cominatórias de Simão contra o abusivo poder paterno e a sociedade.

No final, há uma nítida transferência de Camilo para Simão, ou vice-versa, quando este escreve para Teresa:

"Salva-te, se podes, Teresa. Renuncia ao prestígio dum grande desgraçado."

" Noutra carta, me falavas em triunfos e glórias e imortalidade do teu nome."

Estas expressões não se adaptam ao caráter e àquilo que conhecemos de Simão. O escritor, com toda a evidência, está a falar de si próprio, como tantas vezes aconteceu.

Todavia, no fundamental, Amor de Perdição é a crônica romanceada de um membro da família de Camilo: de seu tio, Simão Antônio Botelho, irmão de seu pai, Manuel Botelho, que era o primogênito, e de Rita, que o recolhera como órfão em Vila Real. Simão foi de fato degredado para a Índia, lá chegou — sabe-se — e lá terá perecido — o que se ignora. No romance, porém, o protagonista morrerá no mar, já longe do convento onde Teresa definhava.

(...)

A primeira edição do Amor de Perdição (cronologicamente o seu 15o. romance) apareceu em 1862, encaminhava-se Camilo para os 37 anos. O romance assinala uma nova fase da evolução de Camilo como romancista -—a fase da plena maturidade artística.

É o livro mais traduzido do escritor, até nos tempos modernos. Foi por diversas vezes adaptado ao teatro e a cinema, como o leitor decerto não ignora."

(Subsídios para uma interpretação da Novelística camiliana, Alexandre Cabral, Livros Horizonte, 1985, Lisboa)

 

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