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Ducker, Peter. Uma Escola Responsável

Por Mayra Rossini

No texto “A escola responsável”, Peter Ducker afirma que “computadores e transmissão via satélite diretamente nas salas de aula estão engolindo nossas escolas”. Se olharmos por esse prisma, Peter Ducker está realmente certo. A cada dia que passa mais e mais computadores são adquiridos até mesmo pelas pessoas de classes menos favorecidas. A escola então, deixa de se preocupar com a formação dos jovens e passa a se preocupar com a educação dos adultos.

Uma grande mudança ocorreu no ocidente: a invenção do livro impresso. Essa tecnologia não foi aceita pelos chineses e muçulmanos pois eles julgavam os livros uma ameaça a sua autoridade. Essa ameaça estaria ligada ao receio de que os alunos passassem a ler sozinhos, por conta própria, o que não era vantajoso para os líderes. Outro fator para que esses povos não utilizassem a imprensa, é que o domínio da caligrafia, qualificava as pessoas para postos do governo.

Essa aversão ao livro impresso fez com que a China e o Império Otomano, deixassem de ser superpotências em diversas áreas e fossem ficando estagnadas.

O Japão, por sua vez, resolveu unir o útil ao agradável: incorporou o livro impresso à suas escolas, sem deixar de lado a importância da caligrafia para a cultura japonesa. Esse modo de agir, fez com que o Japão se tornasse a grande potência que é hoje. Ducker enfatiza que os japoneses têm muita facilidade para absorver culturas estrangeiras e ajaponesá-las, ou seja, eles aproveitam a tecnologia de forma sabia e utilizam-na com seus alunos.

Fato curioso, é que há cerca de 300 anos, já se pregava uma educação como queremos hoje. Segundo Comenius a escola deveria prover uma educação universal, motivar os alunos, ser acessível a toda sociedade, entender o ensino como um processo e trabalhar em conjunto com empregadores.

Não é isso que queremos para nossa educação hoje? Queremos que todos tenham os mesmos direitos independente da classe social, queremos entender o ensino como processo de aprendizagem etc. Mas isso acontece efetivamente, ou estamos pleiteando isso há “somente” 300 anos? Esse fato nos dá a impressão de que nada mudou.

 

Peter Ducker afirma que determinadas matérias como biologia, história, ortografia, são melhor aprendidas através do programa de computador. Que num futuro breve os próprios alunos serão seus instrutores. Mas que irá “ensinar” o computador? De qualquer forma será necessário pessoas que tenham conhecimentos duplos: o da matéria e o da informática. Os alunos poderão tirar dúvidas com o computador? Sim, mas somente aquelas que estiverem num banco de dados previamente elaborado por um... professor.

Espera-se da educação universal que ela forme cidadãos conscientes. Nos Estados Unidos, nas décadas de 50 e 60, as escolas foram agentes de integração social devido ao racismo, mas não conseguiram sucesso. Ducker afirma que isso aconteceu devido as escolas só serem competentes no que diz respeito ao pedagógico e não ao social. Isso fez com que o ensino nos Estados Unidos decaísse pois só usufruem da escola crianças de classes sociais mais avantajadas.

 

O autor do texto faz uma comparação com a escola americana e a japonesa, dizendo que a segunda não incentiva o aluno a estudar. Ele estuda devido a pressão que sofre. Segundo Peter Ducker é extremamente necessário que o aluno se sinta motivado a estudar. Essa motivação poderia provir da tecnologia que desprende o professor do ensino rotineiro. O professor utilizaria o computador como recurso suplementar de suas aulas. Ao invés de os alunos serem seus próprios mestres, os professores utilizariam o computador como “reforço” daquilo aprendido em sala. Essa sim seria a melhor solução.

 

Em relação a escola na sociedade, o autor faz menção a idade em que o é bem verdade. Muitas vezes o aluno sente-se desmotivado se parar de estudar, e raramente volta aos estudos. Muitas vezes, em se tratando de Brasil, é obrigado a parar de estudar  para ajudar na renda familiar e quando se dá conta (se der) acha que é tarde para começar de novo e se desmotiva.

Já, das pessoas que continuam os estudos, mais e mais estudos são cobrados. Se o aluno tem apenas o ensino médio, o universitário se faz necessário. Se tem o universitário, devera pós-graduar-se; depois o doutorado, e assim por diante. Cada vez é exigido mais do profissional em busca de emprego. Portanto o profissional passa a ser o eterno aluno.

 

O autor do texto, fala em ter as escolas como parceiras das empresas. O texto de Ducker, com certeza é um texto em referência aos Estados Unidos e não ao Brasil. Algumas empresas no nosso país, já ministram esse tipo de treinamento aos funcionários . Um exemplo é a Renault,uma empresa  no Brasil no ramo automobilístico, que tem por hábito treinar seus funcionários sempre que lança um novo carro, fazendo com que os mesmos conheçam as características e vantagens do produto.

O que falta com certeza é as empresas criarem um modo de oferecer o ensino básico àquele que trabalha diretamente com mão de obra. Geralmente, o que acontece, é que aquele que tem um estudo razoável, tem maior  oportunidade de continuar estudando e aquele que não tem nenhum estudo, continua sem ele.

Fica  para esta situação, a seguinte pergunta: será que é interessante aos empregadores propiciar aos trabalhadores mais simples, o estudo?

 

Com certeza existem escolas melhores e piores. O que provavelmente aconteça é que essas escolas serão cada vez mais cobradas por resultados. Na verdade, aqui no Brasil isso já acontece. Os pais pensam muito em que escola  colocarão seus filhos. Querem saber o que a escola lhes oferece, que tipo de ensino ministra etc. Infelizmente há um aspecto negativo em relação a essa exigência: os pais muitas vezes não aceitam a reprovação do filho. Diante disso procuram escolas que fazem reclassificação.

Será que esse aluno terá um bom desempenho acadêmico? Até que ponto é responsabilidade do aluno e até que ponto é responsabilidade da escola essa reprovação? A reclassificação não seria uma fuga? Essa escola que reclassifica é uma escoa responsável?

Em discordância com Ducker, é importante ressaltar que não é só papel da escola se comprometer com resultados. O aluno e a família devem contribuir para que esses resultados sejam realmente positivos.

 

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